Um breve relato sobre quem sou eu

01 fevereiro

Um breve relato sobre quem sou eu




Este é um breve relato sobre quem eu sou...

Oi! Eu sou Melinde, nasci num inverno rigoroso e minha mãe não sabia se eu aguentaria o frio, ela costumava me dizer que me enrolava em várias mantas e tentava manter meu carrinho perto da lareira sempre, para que eu me sentisse aquecida. 
Ela teve uma gravidez difícil e conturbada, eu era para ela como um milagre, sempre me disse que jamais esqueceria das minhas bochechas rosadas e dos meus olhinhos escuro de quando eu nasci.
Meu pai não estava lá, ele sempre trabalhou muito e na noite em que eu nasci ele estava viajando, eu nasci duas semanas antes da data prevista e por isso ele não teve como se programar, mas ele não teve culpa e eu jamais o condenei por isso.
Minha mãe teve depressão pós parto, não que ela não me quisesse, ela me amava muito, mas a maternidade tirou quase tudo que ela gostava, quando eu nasci ela teve que reaprender a viver, remodelar os sonhos e reprogramar a vida e isso a devastou como sei que devasta muitas mulheres.
Ela ficava a maior parte do tempo sozinha comigo, meu pai trabalha muito, viajava com frequência e raramente estava em casa. 
No meu aniversário de 5 anos eu sabia que eles não conseguiam mais se suportar, ela mudou com meu nascimento, vivia em função de mim e ele se atolava cada vez mais em trabalho e não me surpreendi quando enfim decidiram pelo fim, eu tinha quase 6 anos quando me contaram, eu os abracei forte com um sorriso largo, e disse que queria apenas que eles fossem felizes, que isso me bastaria, naquele dia e ainda hoje eles lembram com orgulho de minha maturidade.
Eu vi a morte uma vez, eu tinha 20 anos estava em uma praça que ficava a dois quarteirões da casa do meu pai, era verão e estava quente, eu estava tomando um sorvete e esperava meu pai para ir a um restaurante comemorar o emprego dos meus sonhos que eu havia conseguido, meu pai sempre me apoiou, mas naquela praça, sentada naquele banco um carro desgovernado me acertou.  Lembro da vida em câmera lenta passando na minha frente, os gritos abafados dos transeuntes e o som do meu sangue passando rápido pelos ouvidos, o gosto do sangue misturado com o sorvete de flocos, eram 11h da manhã e eu estava consciente o tempo todo, eu vi o motorista desesperado me olhar, as pessoas horrorizadas chamando a ambulância e quando meu pai chegou eu acho que o vi chorar pela primeira vez, ali eu sabia que estava muito machucada, que eu provavelmente ia morrer e depois tudo ficou escuro.
Eu acordei, estava viva e me recuperando, perdi o emprego dos sonhos e isso me deixou muito deprimida por um tempo, mas passou, não recordo bem quando, mas passou.
Minha mãe sempre esteve lá pra mim e meu pai também, eles sempre me apoiaram e apesar da separação foram amigos, por mim, porque eles eram felizes e porque eles sabiam que eu não esperava uma reconciliação.
Eu fui morar sozinha quando fiz 25 anos, na primeira semana eu chorei muito, mas não liguei para minha mãe, eu queria me habituar e me habituei, adotei um cachorro, o chamei de Gold porque ele era um vira latas de pelo dourado muito querido e há 5 anos ele é meu parceiro de apartamento. 
Estou com 30 anos, não me casei e nem estou namorando, as pessoas costumam dizer que é porque eu sou filha de pais separados e não acredito em casamento, mas a verdade não é essa, eu apenas não quis, não me preocupei com isso quando tinha 20 e poucos anos e hoje os homens preferem as de 20 e poucos anos, eu tenho meu trabalho e o Gold, meu apartamento, meu carro, minhas economias e os meus projetos, não me preocupo em casar e ter filhos, se acontecer eu ficarei feliz, mas é difícil encaixar esse tipo de coisa na minha vida, o ultimo cara que namorei odiava o Gold e eu não consegui superar isso porque ele é tudo que eu tenho, então eu decidi que tenho coisas melhores com o que me preocupar.
Gosto de tudo como está, gosto da vida que tive e tenho, gosto da minha família e das minhas escolhas, ouso dizer que gosto até do meu acidente porque eu aprendi muito com aquele acontecimento, gosto das escolhas que fiz e das coisas como elas aconteceram, nem tudo foi bom e perfeito, mas tudo foi útil de alguma forma.
Acho que termino aqui meu breve relato, obrigada por tirar alguns minutos da sua vida para conhecer a minha, eu fico realmente grata.

Atenciosamente


Melinde Daves.


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9 comentários

  1. Melinde é o retrato da mulher madura atual. Apesar de ainda hoje haver a cobrança para que a pessoa se case e construa uma família, Melinde mostra que é possível ser feliz e realizada consigo mesma - e o "Gold" ^^ - sim, o Gold é outro personagem que representa uma tendência: de que pets são como um parente, um amigo, companheiro de residência, e merece respeito por parte dos cônjuges. Afinal, se o Gold não aprovar, não é uma pessoa boa - rsrsrs

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    1. Exatamente, quem não ama o seu baby dog não merece estar na sua vida! =D

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  2. Adorei esse texto, de ter conhecido a Melinda e seu cachorro Gold. Principalmente quando ela alega não querer casar, não vê isso como projeto de vida, eu também não e parece que as pessoas ficam impressionadas sabe. "Precisa casar", não não precisa se não quer.

    Universo Prático Feminino

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    1. Realmente, ficamos muito presos aos padrões e as vezes não é isso que nos faz feliz!

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  3. É lindo como você retrata a sua história, mesmo as partes tristes foram relatadas de uma maneira linda e bem detalhada, enfim adorei te conhecer. beijos no coração.

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    1. Sou eu não flor! Essa pessoa nem existe kkkkk

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  4. Guria, eu amei!!! Lembrei que não havia conseguido comentar pq o pc travou. No inicio achei que era um relato seu, mas opa, não era. E amei amei amei. Tenho que ler mais o que as pessoas escrevem e pretendo ler mais seus textos! Abraços!

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    1. Que bom que gostou! eu amo escrever relatos, volte sempre que quiser! Aqui tem textos meus e de autores em geral! Se quiser mandar algum pra cá também... >.O

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