O bloco dos amigos

25 fevereiro

O bloco dos amigos



Eduardo Gomes, é um nome bem simples, diria até comum, mas era esse o nome do cara que foi abandonado pela esposa, após o que ele diria ser, os melhores 12 anos de sua vida. Eles se conheceram em um circo, ela estava comprando pipoca e ele a achou linda, conversaram, trocaram telefones e se encontraram uma semana depois, para o primeiro encontro em um barzinho, dali para a troca de alianças foram 2 anos e depois disso 10 anos de casados, ele a amava, ela o amava, pelo menos era nisso que ele acreditava, até que 2 meses depois da separação, a encontrou de mãos dadas com Carlos, um moreno alto bonito e sensual, muito mais interessante que ele, com seu 1,75 de altura e seu porte magro e seu emprego estável, como gerente de uma loja de departamentos no centro da cidade.
Ele estava obsoleto, a esposa o julgara velho, havia esquecido de ser interessante, a amava tanto que simplesmente esqueceu de ser menos rotineiro, ele achava que estava bom, que ela estava feliz, nenhum sinal foi dado, ela simplesmente fez o jantar, sentou na mesa e disse que queria o divórcio, as malas estavam feitas, o taxi estava esperando e ele ficou feito um tolo sem entender de onde veio o bonde que o atingiu.
Já se passara 6 meses e ele não estava a fim de voltar a vida de solteiro, não saía para beber e se considerava velho para baladas, não que 39 anos fosse muito, mas ele só não aguentava o barulho e o pique que os mais jovens tinham. 
No entanto, era carnaval, feriado prolongado e os amigos, cansados de vê-lo na sua, resolveram agir, uma intervenção foi feita e ele foi persuadido a ir pra rua, beber e se divertir, apesar da relutância, acabou concordando.
Segunda-Feira, bloco dos amigos, ele costumava sair nesse bloco sempre, antes de Amanda entrar em sua vida, apesar de há 12 anos não saber o que era folia, ele foi aos poucos se redescobrindo. Em meio a cervejas e risadas, muitas vozes cantando em uníssonos as marchinhas há muito esquecidas, Eduardo foi encontrando a alegria de novo.
De repente, Amanda era apenas um borrão, seu rosto e cheiro simplesmente foram sumindo, as cores do confete e serpentina foram colorindo de novo a vida dele, a voz dela dizendo o quanto odiava o carnaval, enquanto ele argumentava que era uma tradição, que sempre participava no bloco dos amigos, mas ela sempre tão intransigente, chata e autoritária, dizendo que se ele fosse podia esquecer ela para sempre, agora, no entanto, a promessa era, ironicamente, uma grande verdade. 
Naquele dia, Eduardo saiu no bloco e lá esqueceu Amanda, se divertiu como nunca, não conheceu nenhuma mulher, não bebeu até perder a consciência, muito menos precisou ser levado para casa, ele apenas foi mais um cara no meio da multidão sendo feliz com seus bons e velhos amigos, foi especial aquele carnaval, tanto que até hoje a foto dele com seu melhor amigo de infância ainda fica sobre cômoda, para lembrá-lo do quanto é importante dar valor ao que lhe faz feliz.
Eduardo mudou depois daquele dia, mudou de emprego e de estilo de vida, no fundo não parece muito, mas foi o suficiente para ele se sentir ele mesmo de novo.



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2 comentários

  1. Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar... ahaha impossível eu pensar em Eduardo e não me lembrar da melodia e, esse trecho da música ainda condiz com o estado que a Amanda o deixou. Passado meu momento de falar abobrinhas...
    Adorei o conto, casou muito com a imagem (e eu que jurava que era um homem e uma mulher na foto?!?!?! ehhehehe) e contou uma história super positiva e cativante sobre o carnaval! <3
    xoxo

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    1. Realmente, ficou super fofa mesmo eu curti essa história =D Eduardo merece coisa melhor!

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