A casa da Rua Holter - Parte 1

07 abril

A casa da Rua Holter - Parte 1


Gabriela estava sentada em sua mesa quando alguém colocou uma pasta em sua frente.
- O que é isso? - perguntou ela olhando para o homem em sua frente.
- Sua nova matéria. - Respondeu Roberto, seu editor chefe.
Ela pegou a pasta e folheou, as imagens e recortes, eram de um antigo caso, de uma casa assombrada na rua Holter, do outro lado da cidade.
- Fantasmas Beto? É sério? - Perguntou desapontada.
- Sim, é sério. As pessoas querem saber, logo precisamos dar a elas o que elas querem. - respondeu ele.
- Por que eu? Sabe que odeio essas coisas bizarras e sobrenaturais! Por que não deu essa matéria para Lisa ou Gustavo ou para o Bruno? Por que logo eu? - ela estava realmente chateada.
- Justamente por sua reputação, de não se acovardar com nada. Gabi, imagine Lisa fazendo esta matéria, vai precisar de uma licença de semanas, porque ficará muito impressionada, mas você não, você não se abala com essas coisas, não acredita em nada disso, vai lá e traga notícia de verdade para nós! - ele parecia animado. Infelizmente não a contagiou.
Ela pegou a pasta, fez o seu melhor sorriso falso e parou com os protestos, se o editor queria uma matéria sobre a casa da rua Holter, então ela faria a droga da matéria, era seu trabalho.
Como era de costume ela foi para casa depois do almoço e lá começou a juntar as pistas para montar alguma coisa. As imagens eram muito ruins, achou que seria legal levar sua câmera e bater algumas novas do local. 
Fez várias ligações, conseguiu a autorização para visitar a casa na noite do dia seguinte e alguns registros imobiliários com a lista dos antigos moradores.
A casa realmente tinha um histórico ruim, apesar de ter acontecido apenas uma morte lá, desde que foi construída, ela tinha um vasto histórico de doenças mentais misteriosas, pessoas que desapareciam e reapareciam em estados catatônicos e vegetativos e outras que, simplesmente, não conseguiam permanecer lá, repentinamente, colocavam a casa a venda e sumiam. Fez inúmeras ligações, mas nenhum dos antigos moradores quis dar entrevista, estava ficando desanimada, tudo que tinha era material batido, precisava de mais que apenas recortes antigos e novas fotos, precisava de algo a mais, algo nunca mencionado. Depois de passar horas e horas pesquisando sobre a casa, tentando encontrar algo útil, decidiu que iria a biblioteca e a polícia local nos próximos dias, assim, talvez conseguisse alguma entrevista interessante para deixar sua matéria mais completa.
Naquela noite teve alguns sonhos estranhos, com pessoas que há muito não via, a mais estranha delas era seu irmão Felipe que morrera muito novo, ele tinha 17 anos e apareceu afogado no lago em uma madrugada, a polícia achara que ele tinha se afogado ao tentar nadar a noite, mas ela sempre achou aquela história esquisita. No sonho Felipe estava próximo ao lago e tentava dizer algo a ela, mas de onde ela estava não conseguia ouvi-lo, de repente ele se virou e se dirigiu ao lago, ela tentou correr até ele, impedi-lo, mas era como se algo não permitisse, corria e corria e a distância entre eles nunca diminuía, ela começou a chorar desesperada, quando o viu se debatendo na água, era a coisa mais assustadora de todas ela chorava e gritava enquanto o irmão se debatia, até que, por fim, ele ficou imóvel, a dor trespassou seu coração e ela acordou de um salto. As lembranças do sonho ainda vívidas na memória, seu coração acelerado e o rosto encharcado de suor e lágrimas, no sonho ele usava a mesma roupa do dia em que morreu, ela não sabia que lugar era aquele onde estava, nem sabia o que o irmão tentara lhe dizer, mas estava perturbada com o sonho.  No relógio eram 5:50 da manhã, não conseguiu mais dormir, levantou-se e tomou café, seguiu para o trabalho, queria fazer mais alguns contatos naquele dia.
Às 16h, juntou alguns equipamentos e foi até a casa, entrou com as chaves que pegou na imobiliária, parecia uma casa normal, os móveis que possuía eram poucos, apenas algumas estantes e prateleiras. Ela caminhou pela casa fotografando os cômodos, a cozinha era toda revestida de azulejos claros com detalhes em um tom rosado. Os quartos estavam também com pouca mobília, contendo apenas uma cama e um criado mudo.
Estava caminhando para a porta dos fundos quando ouviu um ruído na sala, chegando lá, não viu nada, voltou para a cozinha para ir ao lado de trás da casa, mas se deparou com uma moça em pé no meio da cozinha.
- Ahhhhh! - gritou Gabriela - Caramba moça, você me deu um belo susto! - explicou.
- Desculpe, não quis assustar. - respondeu a moça.
Gabriela achou que ela parecia familiar, mas não se lembrou de cara com quem ela se parecia.
- Mora aqui perto? - perguntou.
- Moro aqui senhora. - respondeu a moça.
- Impossível esta casa esta... 
- Abandonada, sim senhora, eu sei, está há muito tempo e acho que a culpa é toda minha. - disse a moça.
De repente o rosto da moça lhe veio nitidamente a sua mente, ela era a única pessoa que havia morrido na casa, Helena Jones, ela tinha 16 anos quando morreu, foi encontrada degolada na cama, as autoridades nunca descobriram quem a matou, mas desde então a casa tinha histórico de ser assombrada. Ela havia visto algumas fotos de Helena e a reconheceu. De repente a revelação lhe fez sentir uma espécie de vertigem.
- Senhora, sente-se - Helena indicou a ela uma cadeira e ela se sentou.
- Não é possível... - sussurrou Gabriela. - Você está morta...
- Estou. Mas não consigo sair daqui e ninguém parece querer me ajudar. - Ela tinha pesar nos olhos.
- Você é um fantasma! - Gritou Gabriela.
- Sim, sou, mas por favor não fique nervosa, só quero sair daqui, nunca fiz mau a ninguém, por favor, não lhe farei mau. - ela parecia estar com medo de assustar Gabriela.
- Por que não pode ir embora? - perguntou, tentando manter a sanidade.
- Não sei. - ela abaixou o olhar. - Eu acredito que seja porque eu quero ainda explicar a minha morte, mas não tenho certeza e ninguém ouve.
- Eu ouço, conte-me. - disse Gabriela.
- Eu, eu fui assassinada. - disse Helena.
- Eu sei disso, nunca encontraram o assassino. Li as notícias de sua morte.
- Mas foi meu padrasto que me matou. - ela disse.
- Padrasto? Ele não era seu pai?
- Não, era meu padrasto, minha mãe estava grávida, e ele assumiu o bebê.
- Pode me contar tudo, publicarei sua verdade, estou fazendo uma matéria sobre a casa, tentarei te ajudar, quem sabe assim você descansa.
- Tem tempo? Esta é uma história longa, é preciso mais que apenas a minha morte, mas todas as coisas que culminaram na minha morte.
- Conte-me. - Disse Gabriela pegando da bolsa um gravador e o notebook. O brilho em seu olhar era um tanto louco quando olhou a moça, não acreditava em fantasmas, mas aparentemente estava de frente para um e ia conseguir uma entrevista incrível, era seu dia de sorte. Era o que esperava, mas...

Continua...

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2 comentários

  1. Mas que coisa i.i eu aqui empolgadona querendo saber da coisas e... e... i.i comercial! rsrsrs estou gostando, quero saber mais da morte dela, do sonho com o irmão, se as mortes tem ligação?! Lila cade a continuação?! <3 amo coisas de terror *.* ansiosa! beijos amiga!

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