Chega de Mentiras

01 abril

Chega de Mentiras


Abrir uma porta parece um ato simples, mas quando não se sabe o que vai encontrar do outro lado, abrir uma porta é um ato de ousadia. 
Emily não sabia onde a porta a levaria, mas abriu e imediatamente se arrependeu, do outro lado estava algo que ela nunca esperou encontrar, nunca sonhou e agora era real e ela não sabia como lidar.
Ninguém a advertiu, ela agiu ingenuamente e se deparou com o pior, talvez não seja o pior para todos, mas era com certeza, para ela. 
Quando viu, sentiu as emoções conflitantes borbulhando, as lágrimas querendo sair e ela entrou em guerra consigo mesma, entre desabar e correr, entre chorar e ser forte, não foi fácil, mas ela resolveu por fim, que chorar não era uma opção, não ia sucumbir, era um pacto que fez ali, naquele instante, com ela mesma.
Entrou, com o olhar mais firme que conseguiu e disse:
- Podem me explicar o que é isso? 
Os olhares que se voltaram para ela, eram de surpresa. Duas pessoas estavam nuas na cama, em uma posição praticamente impossível, ela era Olga, sua irmã e ele Fred, seu noivo.
- Há quanto tempo vocês estão transando? - Perguntou Emily tentando conter as diversas emoções que queriam sair junto com sua voz.
- Amor, não é nada disso! - Fred se levantou e veio em direção a ela.
- Não me chame assim. - Disse com todo o autocontrole que conseguia reunir.
- Emy, eu lamento, mas... - começou Olga.
- Lamenta? O que exatamente, você lamenta Olga? O fato de estar transando com o meu noivo? O fato de estar traindo o Henri? O fato de ter, inúmeras vezes, se gabado do quanto você e seu marido eram infinitamente felizes, tentando me fazer sentir mau, porque o Fred não era um doce comigo? O fato de você conseguir ser tão nojenta, ao ponto de transar com o noivo da sua irmã sem sentir remorso? O fato de ter simplesmente sido a pessoa mais hipócrita e mesquinha? Me diga Olga, o que você lamenta? - A mágoa era palpável na voz de Emily. 
- Lamento por tudo, por todas essas coisas que você disse... - Olga conseguiu responder em um sussurro.
- Pois você devia lamentar ser você, devia lamentar ser essa criatura desprezível que você é essa criança mimada, cheia de caprichos que não se importa com nada. - olhou de um para outro - vocês se merecem, sabia? Você Olga, porque só se interessa por aquilo que quer, na hora que quer e um dia vai acabar sozinha e talvez, nem seja capaz de entender que fez isso sozinha. Você Fred, porque por 6 anos esteve na minha casa, me tratando mau e me fazendo sentir como se eu tivesse que aceitar você do jeito que era, como se você fosse a melhor coisa que eu podia ter, só porque não sou uma mulher maravilhosa, aliás, quantas vezes você não disse isso não é mesmo? Que eu devia agradecer por ter você ao meu lado, sendo uma tola romântica, porque você era muito mais do que eu poderia ter, mas agora eu entendo, você transava com a Barbie da minha irmã, com seu corpo talhado em academia e as malditas plásticas, que o pobre Henri paga para ela. Vocês são isso, vazios e podres, duas cascas vazias tentando se preencher, são patéticos. - ela tirou a aliança e deixou em cima da cômoda que ficava do lado da porta do quarto. Eles estavam pasmos, ficaram ambos boquiabertos e estáticos enquanto ela saia, largando as chaves do apartamento dele em cima da mesa de centro na sala. 
Quando fechou a porta atrás de si, sacou o celular e marcou um encontro com o cunhado. Encontrou Henri uma hora depois em um café perto do trabalho dele, a princípio ele não acreditava, não queria acreditar, mas por fim ele notou que ela não estava brincando e foi assimilando aos poucos a realidade, ele amava Olga, era completamente devotado a ela, mas ela simplesmente fingia, usava seu dinheiro e dormia com Fred, isso se não o traia com outros. 
Naquela noite ele saiu de casa, Olga chorou e implorou que ele a perdoasse, mas ele não perdoou, pegou suas coisas e foi embora.
A mãe de Emily foi decepcionante.
- Que vagabundo, olha o que esse seu Fred fez! Destruiu a amizade de duas irmãs, um casamento perfeito, olha a grande nuvem que paira nesse lugar agora, graças a ele, ou melhor, graças a você que o trouxe para cá, para abalar nossa família, deveria ter vergonha de si mesma Emily, olha o que você fez, estragou o casamento da sua própria irmã, você não tinha esse direito! - A mãe era devotada a Olga, incrível como ela conseguia dobrar todo mundo a seus pés.
Emily não respondeu, subiu as escadas, pegou uma mala, colocou suas roupas dentro, ligou para um táxi e saiu de casa, mais uma vez sem dizer quase nada ela saiu do caminho, deixando sua mãe tão chocada, que nem tentou argumentar ou gritar com ela.
Passou a noite em um hotel e, no dia seguinte, foi procurar um apartamento para alugar, conseguiu um perto do trabalho, alguns dias depois e se mudou.
Quando colou a chave na fechadura e girou a maçaneta para entrar em sua nova casa ela sabia onde aquela porta daria, mais que um novo lugar para morar, aquela porta era o primeiro passo, para quem ela seria a partir daquele dia. Quando abriu a porta, se sentiu nova e pronta, dali por diante ela mudou.

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10 comentários

  1. Arrasou, abrindo o BEDA com chave de ouro. Parabéns pelo texto e pela emoção que ele carrega, me senti dentro da história.

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  2. Já aproveitei pra robar a imagem do rodapé aqui que eu não tinha. E você já começou arrasando, né? Todo mundo enrolando com post de apresentação, eu principalmente, e vc já dando um tapa na cara da sociedade haha.

    Adorei!

    Lady Salieri
    www.visaoperiferica.com

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    1. hahahahahahahaha Splash na cara da sociedade! Achei que o dia da mentira merecia um post especial >.O

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  3. Uau!
    Acho que preciso ler teus textos mais vezes... Ficou realmente incrível!
    Adorei! Adorei! Adorei!
    Fiquei fã da Emily.

    Um beijo.

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    1. Que bom Tais! A Emily é a o tipo de mulher que eu queria ver mais vezes por aí! Sou fã dela também!

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  4. Primeiramente
    🎵Chega de mentiras, de brincar com meus desejos, eu te quero mais que tudo, eu preciso do teu beijo...🎵

    Acho que reconheço essa mãe hein!!

    Beijos

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  5. Adoro quando vc escreve Lila, teus personagens tão cheio de vida e personalidade, como não se ver ali no momento, sentir cada um deles? Eu ainda teria vontade de socar os dois mas ok, estou admirada com a maturidade da Emily! Amei! Beijos amiga!

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